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Como guardar provas no trabalho: o que fazer da contratação à demissão

Autoria

Roberto Brunoro Ramos

Publicado em

Trabalhador organiza holerites e documentos em uma pasta na sua mesa do escritório

Na Justiça do Trabalho, quem tem razão mas não consegue provar costuma sair perdendo. E a melhor hora de juntar provas não é depois da demissão: é durante o emprego, enquanto você ainda tem acesso às mensagens, aos colegas e aos documentos. Neste guia, você vai ver o que guardar e como agir em cada fase do contrato, da entrevista de emprego até o último dia, sem arrumar confusão com a empresa.

Por que guardar provas desde o primeiro dia

Muita coisa que acontece no trabalho não fica no papel: a promessa de salário maior, a hora extra que não aparece no ponto, a humilhação na frente dos colegas. Se um dia você precisar cobrar esses direitos, vai ter de mostrar ao juiz que eles existiram.

Depois que o contrato acaba, você tem até 2 anos para entrar com o processo, e só pode cobrar os direitos dos últimos 5 anos (é a chamada prescrição, o prazo que a lei dá para cobrar). Por isso, guarde tudo por pelo menos 5 anos.

Guardar provas não é "armar contra a empresa". É só se proteger, do mesmo jeito que a empresa guarda os documentos dela.

Na contratação: guarde as promessas

É na entrevista que aparecem as promessas de salário, comissão, cargo, plano de saúde e horário. Se elas não forem cumpridas, você vai precisar mostrar que foram feitas.

  • Tire print do anúncio da vaga (site, rede social, grupo de WhatsApp), com a data aparecendo.
  • Guarde e-mails e mensagens do RH ou do recrutador com a proposta de salário, benefícios e função.
  • Se a proposta foi só de boca, mande uma mensagem educada confirmando: "Obrigado pela conversa de hoje. Só para confirmar: o salário será de R$ 2.500,00 mais 3% de comissão, no cargo de vendedor, de segunda a sexta. Está certo?". A resposta (ou o silêncio) já vira registro.
  • Guarde uma cópia de tudo o que você assinar: contrato, termo de uso de uniforme, acordo de banco de horas. Se não derem cópia, tire foto antes de entregar.
  • Confira a sua Carteira de Trabalho Digital no aplicativo do governo. A empresa tem 5 dias úteis para anotar a sua admissão, com salário e função.

Durante o contrato: o que conferir todo mês

Alguns cuidados simples, feitos uma vez por mês, evitam muita dor de cabeça:

  • Holerite (contracheque): guarde todos. Se a empresa só mostra no sistema, baixe o PDF ou tire print.
  • Extrato bancário: mostra quanto realmente caiu na sua conta. Se parte do salário é paga "por fora", em dinheiro ou Pix de outra conta, o extrato e os comprovantes de Pix são a prova.
  • FGTS: confira no aplicativo do FGTS se o depósito do mês caiu.
  • Meu INSS: o extrato chamado CNIS (o registro das suas contribuições) mostra o salário que a empresa declarou ao governo. Compare com o que você recebe.
  • Mudanças de função: se mandarem você fazer o serviço de outro cargo, guarde a mensagem com a ordem, prints do sistema com seu nome e fotos do seu posto de trabalho.

Jornada e horas extras

Empresas com mais de 20 empregados são obrigadas a controlar o horário de cada um. Se o ponto mostra sempre o mesmo horário, todo dia, sem variar um minuto (o "ponto britânico"), a Justiça costuma não aceitar esse controle como verdadeiro.

  • Peça cópia do seu espelho de ponto sempre que puder, ou tire foto dele.
  • Se mandarem você bater o ponto e continuar trabalhando, anote num caderno ou no celular: dia, horário real de entrada e saída, e quem mandou.
  • Guarde mensagens de WhatsApp e e-mails enviados fora do horário: elas mostram que você estava trabalhando.
  • O histórico de localização do celular e os registros de login em sistemas também podem ajudar.

Reuniões e conversas com a chefia

Em reuniões, promessas e ordens são dadas de boca e depois "ninguém lembra".

  • Logo depois da reunião, mande um resumo por escrito para o chefe: "Conforme combinado hoje, vou assumir o caixa a partir de segunda e a diferença de salário será paga no próximo mês". É simples e cria uma prova com data.
  • Você pode gravar uma conversa de que você participa, mesmo sem avisar o outro. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu, no Tema 237 (uma decisão que vale para todos os processos iguais), que essa gravação é prova válida. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) segue o mesmo entendimento.
  • Em reuniões online, a gravação feita por quem participa vale do mesmo jeito.

Atenção: isso vale só para conversas em que você está presente. Deixar o celular gravando numa sala depois de sair, ou gravar conversa dos outros, não é permitido e pode virar problema para você.

Assédio moral ou sexual: como registrar

O assédio quase nunca acontece na frente de testemunhas. Por isso, o registro feito por você faz muita diferença.

  • Faça um diário: a cada episódio, anote data, hora, lugar, o que foi dito (com as palavras exatas), quem fez e quem estava perto ou chegou logo depois.
  • Guarde mensagens, áudios e e-mails com ofensas, cobranças humilhantes, ameaças ou convites insistentes.
  • Use o canal de denúncias da empresa. Empresas que têm CIPA são obrigadas por lei a ter um canal para denúncias de assédio, com garantia de anonimato. Faça a denúncia por escrito e guarde o comprovante.
  • Conte para alguém de confiança logo depois do fato, de preferência por mensagem. Essa pessoa pode ser testemunha de como você ficou.
  • Procure atendimento médico ou psicológico se o assédio afetar sua saúde, e guarde atestados, receitas e relatórios.
  • Assédio sexual é crime. Você pode registrar boletim de ocorrência, sem prejuízo do processo trabalhista.

Quando acontece longe de testemunhas

Se o chefe só fala certas coisas quando vocês estão sozinhos, siga estes passos:

  1. Grave a conversa, já que você é participante (veja o item sobre reuniões).
  2. Escreva tudo assim que puder, com data e hora. Uma anotação feita na hora vale muito mais do que a memória meses depois.
  3. Mande uma mensagem para você mesmo (ou para uma pessoa de confiança) contando o que aconteceu. O próprio aplicativo registra a data e a hora.
  4. Se fizer sentido, mande uma mensagem educada para quem disse: "Sobre o que o senhor me falou hoje na sala, sobre eu ter de pedir demissão…". Se a pessoa não negar, a resposta ajuda.
  5. Lembre quem viu o antes e o depois: o colega que viu você saindo da sala chorando, o segurança que ouviu os gritos. Mesmo sem ver a cena toda, eles podem testemunhar.
  6. Anote o nome completo e o telefone de colegas que podem testemunhar. Quem já saiu da empresa costuma ficar mais à vontade para falar. E o colega que também tem processo contra a empresa pode, sim, ser testemunha.

Atestados, acidentes e doenças

  • Entregue o atestado de um jeito que deixe registro: por e-mail, pelo aplicativo da empresa ou por WhatsApp, e guarde uma foto dele.
  • Em caso de acidente, peça a emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e guarde cópia.
  • Guarde exames admissionais, periódicos e demissionais, e as fichas de entrega de equipamentos de proteção (EPI).
  • Tire foto do local de trabalho quando houver risco, como barulho, produto químico, calor ou falta de equipamento.

Na demissão

O dia da demissão costuma ser tenso, e é aí que muita gente assina o que não devia.

  • Leia antes de assinar. Você tem direito a ficar com uma cópia de tudo.
  • Nunca assine papel em branco, nem pedido de demissão que você não quer fazer. Se for pressionado a pedir demissão, anote quem pressionou, como e quando, e procure orientação antes de assinar.
  • Se discordar de algum valor, você pode escrever ao lado da assinatura: "recebi, mas não concordo com os valores".
  • Confira o prazo: a empresa tem 10 dias, a contar do fim do contrato, para pagar a rescisão e entregar os documentos.
  • Antes de devolver o celular ou perder o acesso ao e-mail da empresa, salve no seu aparelho as mensagens e documentos que falam de você: holerites, escalas, mensagens com a chefia.
  • Guarde o TRCT (termo de rescisão), as guias do seguro-desemprego, o extrato do FGTS e o exame demissional.

O que NÃO fazer

Algumas atitudes podem enfraquecer o seu caso ou até dar motivo para justa causa:

  • não copie documentos sigilosos da empresa (lista de clientes, contratos, dados de outros empregados);
  • não entre em sistemas ou contas sem autorização;
  • não grave conversas de que você não participa;
  • não exponha a empresa ou colegas nas redes sociais;
  • não apague conversas: exporte o WhatsApp com os arquivos e guarde o celular antigo.

Uma dica: você pode pedir à empresa, por escrito, uma cópia dos seus dados pessoais que ela guarda, como ponto, holerites e avaliações. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) garante esse acesso.

Onde guardar suas provas

  • Faça cópias em dois lugares: no celular e numa nuvem (Google Drive, e-mail pessoal) ou num pen drive.
  • Organize por pastas: contratação, salários, ponto, saúde, assédio, demissão.
  • Para mensagens muito importantes, existe a ata notarial: o cartório confere o conteúdo do seu celular e registra em documento oficial. Ela não é obrigatória, mas dá mais força à prova se a empresa disser que o print é falso.

O que fazer agora

  1. Crie hoje uma pasta no celular ou na nuvem chamada "Trabalho".
  2. Baixe seus holerites, o extrato do FGTS e o CNIS do Meu INSS.
  3. Comece um diário com os fatos importantes, sempre com data.
  4. Anote o contato de colegas que podem ser testemunhas.

Se você já está passando por uma situação difícil no trabalho, ou foi demitido e acha que ficou faltando algum direito, fale com o escritório Thaís Inácia Advogados. Nossa equipe pode olhar suas provas e dizer o melhor caminho.

Fontes

Passou por alguma dessas situações? A gente pode te ajudar.

Se você se reconheceu tendo algum direito seu violado, saiba que não precisa enfrentar isso sozinho.

Muitos trabalhadores deixam de receber o que é seu por não saber por onde começar.

Somos um escritório com mais de 23 anos de experiência na defesa do trabalhador, com mais de 5 mil processos, e atendemos em todo o Brasil.

Como podemos te ajudar:

  • Orientação: ouvimos a sua história com calma, explicamos quais são os seus direitos e dizemos, com sinceridade, se vale a pena entrar na Justiça.
  • Organização das provas: ajudamos você a juntar e organizar tudo o que comprova o que aconteceu: documentos, mensagens, fotos, holerites e testemunhas.
  • Cobrança na Justiça: entramos com o processo e acompanhamos cada etapa, do começo ao fim, para você receber o que é seu.

Nos chame no WhatsApp. O atendimento é 24 horas. É simples, sem complicação, e nós explicamos tudo em linguagem fácil.

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