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Grávida orientada a vomitar no lixo para não parar o atendimento: TST aumenta indenização para R$ 30 mil

Autoria

Roberto Brunoro Ramos

Publicado em

Operadora de call center grávida, com headset, em sua baia com a mão na barriga

Uma operadora de telemarketing grávida foi orientada a vomitar numa lata de lixo, no próprio posto de trabalho, para não interromper os atendimentos. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou a situação um ataque à dignidade da trabalhadora e aumentou a indenização de R$ 5 mil para R$ 30 mil.

O que aconteceu

A decisão foi da 7ª Turma do TST, divulgada em 21 de outubro de 2026, no processo 1000493-36.2019.5.02.0608. A relatora foi a ministra Margareth Rodrigues Costa.

Segundo o processo, a trabalhadora, durante a gravidez, era orientada pelo supervisor a usar uma lata de lixo para vomitar sem sair da baia. Uma testemunha contou que o recipiente não estava ali para emergências: a ideia era diminuir as idas ao banheiro e evitar pausas no atendimento.

O caso passou por três instâncias:

  • Vara do Trabalho: reconheceu o assédio moral e fixou indenização de R$ 10 mil;
  • Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-2): manteve a condenação, mas baixou o valor para R$ 5 mil;
  • TST: aumentou a indenização para R$ 30 mil.

Para a relatora, a conduta teve "contornos de perversidade" e feriu a dignidade, a intimidade e a saúde da trabalhadora, além da proteção à maternidade garantida pela Constituição. O valor maior levou em conta a gravidade do caso, a condição de gestante e o tamanho da empresa. A decisão ainda pode ter recurso.

O que muda para você

A decisão reforça uma regra importante: a empresa pode organizar o trabalho, mas não pode humilhar o trabalhador nem colocar a saúde dele em risco para bater meta.

Controlar de forma abusiva as idas ao banheiro, expor o trabalhador na frente dos colegas ou negar pausas a uma gestante são situações que podem gerar indenização por assédio moral — quando a empresa trata o empregado de forma humilhante ou abusiva, de forma repetida.

A gestante tem ainda outras proteções na lei, como:

  • estabilidade no emprego, garantida pela Constituição, desde a confirmação da gravidez até cinco meses depois do parto;
  • direito de mudar de função quando a atividade prejudica a saúde, sem perder o salário;
  • dispensa do trabalho para pelo menos seis consultas e exames do pré-natal;
  • licença-maternidade de 120 dias.

Quem pode ter direito

  • Gestantes que sofreram humilhação, controle abusivo de banheiro ou pressão por metas durante a gravidez;
  • trabalhadores de telemarketing e call center que têm idas ao banheiro limitadas ou vigiadas;
  • qualquer trabalhador exposto a situações de vergonha no ambiente de trabalho;
  • gestantes demitidas durante a gravidez ou logo após o parto.

O que fazer agora

  1. Guarde provas: mensagens, e-mails, áudios, prints de sistemas, fotos e o nome de colegas que viram os fatos.
  2. Anote tudo: datas, horários, quem deu a ordem e o que foi dito.
  3. Procure atendimento médico se a situação afetou a sua saúde e guarde os atestados.
  4. Lembre do prazo: o trabalhador tem até 2 anos depois de sair da empresa para entrar com a ação, e pode cobrar direitos dos últimos 5 anos.

Se você passou por algo parecido no trabalho, fale com a nossa equipe para avaliar o seu caso.

Fontes

Passou por alguma dessas situações? A gente pode te ajudar.

Se você se reconheceu tendo algum direito seu violado, saiba que não precisa enfrentar isso sozinho.

Muitos trabalhadores deixam de receber o que é seu por não saber por onde começar.

Somos um escritório com mais de 23 anos de experiência na defesa do trabalhador, com mais de 5 mil processos, e atendemos em todo o Brasil.

Como podemos te ajudar:

  • Orientação: ouvimos a sua história com calma, explicamos quais são os seus direitos e dizemos, com sinceridade, se vale a pena entrar na Justiça.
  • Organização das provas: ajudamos você a juntar e organizar tudo o que comprova o que aconteceu: documentos, mensagens, fotos, holerites e testemunhas.
  • Cobrança na Justiça: entramos com o processo e acompanhamos cada etapa, do começo ao fim, para você receber o que é seu.

Nos chame no WhatsApp. O atendimento é 24 horas. É simples, sem complicação, e nós explicamos tudo em linguagem fácil.

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