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Recusou virar PJ e teve o salário cortado? Justiça de Goiás aumenta indenização para R$ 12,5 mil

Autoria

Roberto Brunoro Ramos

Publicado em

Professor sentado sozinho em sala de aula vazia olha papéis de contrato

Um funcionário de uma faculdade em Valparaíso de Goiás recusou trocar a carteira assinada por um contrato como pessoa jurídica (PJ). Depois disso, teve a carga horária e o salário cortados. A Justiça do Trabalho de Goiás entendeu que foi retaliação e aumentou a indenização de cerca de R$ 1,5 mil para R$ 12,5 mil.

O que aconteceu

A decisão foi da 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás (TRT-18), em julgamento de 15 de outubro de 2026. O processo começou na Vara do Trabalho de Valparaíso de Goiás.

Segundo o processo, a faculdade queria que os funcionários deixassem a carteira assinada e passassem a trabalhar como PJ — a chamada "pejotização", quando a empresa contrata o trabalhador como se ele fosse uma empresa, para não pagar os direitos da CLT. Mensagens juntadas ao processo mostravam que quem recusasse teria a carga horária reduzida.

Foi o que aconteceu. O funcionário recusou, teve a carga horária e o salário reduzidos e, depois, foi colocado num núcleo da faculdade com apenas uma hora por semana, sem precisar comparecer. A própria instituição admitiu que esse núcleo não teve atividades em 2025.

Os desembargadores entenderam que esvaziar as funções e cortar o salário foram formas de pressionar o trabalhador a aceitar virar PJ. Por isso:

  • a indenização por esse dano subiu de R$ 1.589,13 para R$ 12.500,00;
  • foram fixados mais R$ 3.000,00 por atrasos repetidos no pagamento do salário;
  • o total de danos morais chegou a R$ 15.500,00.

A faculdade que assumiu a instituição em 2024 também foi responsabilizada pelas dívidas trabalhistas de antes. A decisão ainda pode ter recurso.

O que muda para você

A decisão mostra que ninguém é obrigado a deixar a carteira assinada para virar PJ. E que punir quem recusa — cortando horas, salário ou deixando a pessoa sem função — pode gerar indenização.

Fique atento: se você trabalha como PJ, mas cumpre horário, recebe ordens de chefe, não pode mandar outra pessoa no seu lugar e recebe salário todo mês, isso pode ser vínculo de emprego disfarçado. Nesse caso, dá para pedir na Justiça o reconhecimento da carteira assinada e todos os direitos, como férias, 13º, FGTS e horas extras.

Também é ilegal reduzir o salário do empregado por decisão da empresa. A Constituição só permite redução por acordo ou convenção coletiva com o sindicato.

Quem pode ter direito

  • Quem foi pressionado a abrir CNPJ ou MEI para continuar trabalhando;
  • quem recusou virar PJ e passou a sofrer cortes, isolamento ou perseguição;
  • quem trabalha como PJ, mas na prática é tratado como empregado;
  • quem teve o salário reduzido sem acordo com o sindicato;
  • quem recebe o salário com atraso todo mês.

O que fazer agora

  1. Guarde provas da pressão: mensagens, e-mails, áudios e comunicados da empresa sobre a mudança para PJ.
  2. Guarde contracheques e extratos que mostrem a redução do salário ou os atrasos.
  3. Não assine nada com pressa. Se a empresa oferecer um contrato de PJ, leia com calma e tire dúvidas antes.
  4. Fique atento ao prazo: você tem até 2 anos depois de sair da empresa para entrar com a ação, e pode cobrar os direitos dos últimos 5 anos.

Se você foi pressionado a virar PJ ou teve o salário cortado, fale com a nossa equipe para avaliar o seu caso.

Fontes

Passou por alguma dessas situações? A gente pode te ajudar.

Se você se reconheceu tendo algum direito seu violado, saiba que não precisa enfrentar isso sozinho.

Muitos trabalhadores deixam de receber o que é seu por não saber por onde começar.

Somos um escritório com mais de 23 anos de experiência na defesa do trabalhador, com mais de 5 mil processos, e atendemos em todo o Brasil.

Como podemos te ajudar:

  • Orientação: ouvimos a sua história com calma, explicamos quais são os seus direitos e dizemos, com sinceridade, se vale a pena entrar na Justiça.
  • Organização das provas: ajudamos você a juntar e organizar tudo o que comprova o que aconteceu: documentos, mensagens, fotos, holerites e testemunhas.
  • Cobrança na Justiça: entramos com o processo e acompanhamos cada etapa, do começo ao fim, para você receber o que é seu.

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