Rir da "brincadeira" do chefe não é concordar: TRT-GO condena empresa por ofensas homofóbicas
Autoria
Roberto Brunoro Ramos
Publicado em

Rir de uma "brincadeira" do chefe por medo de perder o emprego não é concordar com ela. A Justiça do Trabalho de Goiás manteve a condenação de uma empresa de Goiânia por assédio moral contra um trabalhador que era chamado de "zero à esquerda" e alvo de ofensas homofóbicas do supervisor, inclusive em grupos de WhatsApp com diretores da empresa.
O que aconteceu
A decisão é da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás (TRT-GO), unânime, com relatoria do desembargador Mário Bottazzo, e foi divulgada em 23 de outubro de 2026. A empresa, do ramo de comércio de máquinas e equipamentos industriais, foi condenada a pagar R$ 5 mil por danos morais, segundo a imprensa.
Mensagens de WhatsApp e testemunhas comprovaram que o supervisor humilhava o funcionário em público, usava apelidos ofensivos ligados à orientação sexual dele e fazia ameaças de demissão nos grupos de trabalho.
"Era só brincadeira"? Não para a Justiça
A empresa disse que o ambiente era informal, que as brincadeiras eram de todos os lados e que o próprio trabalhador participava, rindo das mensagens. Também argumentou que ele nunca usou os canais internos de denúncia.
A Justiça não aceitou. As testemunhas contaram que ele se sentia acuado e aceitava o tratamento por medo de ser demitido. O juiz da primeira instância destacou que é preciso considerar a diferença de poder entre chefe e subordinado: o silêncio ou a risada forçada eram uma forma de evitar conflito e manter o emprego, não uma autorização para ser humilhado.
Para a Justiça, a natureza das ofensas e a exposição diante dos colegas bastavam para reconhecer o dano moral, sem necessidade de laudo psicológico.
A empresa responde pelo chefe
O relator explicou que a empresa responde pelos atos de quem a representa, como gerentes e supervisores, mesmo que diga que não sabia. E o fato de o funcionário não ter usado o canal de denúncia não tira a obrigação da empresa de vigiar o ambiente e reparar o dano.
Ainda cabe recurso.
O que muda para você
- Ofensas sobre orientação sexual, cor, religião, aparência ou origem no trabalho podem gerar indenização.
- Rir ou ficar calado não significa concordar, principalmente quando quem ofende é o chefe.
- Grupos de WhatsApp do trabalho contam: ofensas ali também são assédio.
- Não ter denunciado internamente não impede você de buscar seus direitos.
Quem pode ter direito
- quem recebe apelidos ou ofensas humilhantes do chefe ou dos colegas, com conhecimento da empresa;
- quem é ameaçado de demissão de forma constante e pública;
- quem é exposto ao ridículo em reuniões ou grupos de mensagens.
O que fazer agora
- Salve as provas: faça prints e exporte as conversas dos grupos de WhatsApp antes de sair deles.
- Anote nomes de testemunhas: colegas que presenciaram as ofensas.
- Registre datas e frases: um diário simples ajuda muito no processo.
- Cuide da sua saúde: se a situação afetou você, procure atendimento e guarde os documentos.
- Procure orientação: dependendo do caso, além da indenização, é possível pedir a rescisão indireta e sair com todos os direitos.
Se você passa por isso no trabalho, fale com a nossa equipe com toda a discrição.









